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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Fonte do Amor

Há muito tempo atrás, havia um menino chamado Jurandir que morava numa aldeia indígena que se localizava dentro de uma mata fechada, onde homem branco nenhum havia chegado.
Jurandir era filho do Cacique Raoni e de sua esposa Janaína. Tinha um irmão caçula chamado Kaluanã, que sempre mostrou habilidades extraordinárias para todos os tipos de atividades físicas ao contrário de Jurandir, que nunca se deu bem com as mesmas.

Quando nasceu, o Pajé Mauá havia dito que Jurandir um dia seria um grande pajé e assim que ele completasse 14 anos ele mesmo começaria a iniciá-lo nos segredos do mundo dos espíritos e das divindades. Preocupado com tal declaração, o Cacique perguntou quem lideraria a tribo se seu único filho se tornasse Pajé, então o Pajé Mauá profetizou que depois de dois anos nasceria outro filho homem e que ele se tornaria o Cacique da tribo, e se mostraria um forte, determinado e justo guerreiro que faria a tribo prosperar juntando forças com seu irmão.

Como havia profetizado o Pajé, dois anos depois do nascimento de Jurandir nasce Kaluanã, com traços de um guerreiro forte e destemido, ao contrário de seu irmão que tinha um semblante mais suave e sereno.

Os dois irmãos cresceram saudáveis e com fortes laços de amizade, mas suas diferenças eram notáveis. Kaluanã era muito ativo, gostava de brincar e festejar muito, fazia demonstrações de coragem para os amigos enfrentando animais perigosos, era muito corajoso. Jurandir era mais calmo, preferia ficar sozinho a brincar com amigos, apreciava muito a natureza e gostava de conversar com as plantas, animais e os deuses embora não os visse. Sempre preferia ficar em sua cabana meditando na beleza da natureza e das divindades e espíritos que ela criaram enquanto seu irmão saía para caçar.

O Pajé Mauá ao raiar do sol se dirigiu à cabana do Cacique. Chegando lá saudou o Cacique e sua esposa, depois disso anunciou que o dia da iniciação de Jurandir havia chegado e que ele deveria partir junto com ele.

O Cacique embora relutante , entendia a importância desse momento e juntamente com sua esposa foi acordar seu filho que há anos esperava por este momento.
Quando o garoto acorda e se depara com o Pajé em sua cabana, logo entende que o dia havia chegado e que de agora em diante ele se tornaria um guerreiro como o irmão, mas um guerreiro que luta com as armas do espírito.

Antes de partir, seu pai lhe dá um carinhoso abraço e diz:
- O dia em que você nasceu foi muito especial para mim e sua mãe. Você foi trazido pela luz do céu para se tornar o líder espiritual de nosso povo. Vá meu amado filho, e volte como um verdadeiro guerreiro dos deuses e dos espíritos da luz. Que Tupã lhe proteja e guarde seu caminho!

Após ter proferido essa palavras o Cacique se afasta, então sua mãe lhe dá um beijo e um carinhoso abraço e lhe fala entre lágrimas:

- Eu acredito em você Jurandir! Eu acredito na sua força, e que você vai cumprir a missão dada pelos deuses e por nossos ancestrais! Sei que você voltará um homem feito, um verdadeiro pajé que cuidará e orientará nosso povo ao lado de Kaluanã. Vá meu filho, está na hora de você voar e cumprir a missão que lhe foi legada. Aprenda tudo que o Pajé Mauá tem para te ensinar, seja obediente e preste atenção em suas palavras. Lembre-se sempre: em qualquer caminho que escolhas, deve trilhá-lo com amor. Que Tupã guie teus passos meu filho amado!

Após a despedida de seus pais, Jurandir se dirige ao Pajé, o qual lhe conduz para fora da cabana. Lá fora o Pajé lhe pergunta:

- Você Jurandir, está pronto para ser iniciado nos mistérios da mãe natureza e dos deuses?
- Sim Pajé Mauá, é tudo que desejo.
- Se achas que tuas iniciações serão fáceis, aviso-lhe que não serão e que muitas coisas terá que enfrentar para se tornar um verdadeiro Pajé. Está disposto a fazer o que for preciso para alcançar teu objetivo?
-Sim Pajé! Farei o que for preciso, nem que eu tenha que arriscar minha vida voltarei como um Pajé para a aldeia.
- Então que os espíritos ancestrais olhem por nós, e que os deuses nos acompanhem em nossa jornada!

E assim o Pajé e Jurandir partiram para uma cachoeira onde seria realizada sua primeira iniciação. O lugar era de uma beleza indescritível, a água gelada, o mato verde, as flores, as borboletas, tudo parecia estar em perfeita harmonia. A cachoeira tinha um ar mágico e isso encantou o menino Jurandir, que foi comentar sua impressão do lugar com o Pajé:


- Pajé Mauá, este lugar é mágico! Posso sentir a magia no ar!
- Ótimo! Isso quer dizer que você é sensível às energias que aqui habitam. Logo irá descobrir o porquê de você sentir que este local é mágico. Aguarde pequeno Pajé.

Dito isso, o Pajé começou a juntar galhos para fazer uma fogueira, pois a noite estava chegando e eles precisariam de muitos galhos para manter a chama acesa a noite toda.
Enquanto isso Jurandir decidiu que tomaria um banho na cachoeira, deixou suas coisas na beira do rio e mergulhou. E ficou lá dentro por horas, sentindo a água gelada percorrer seu corpo, em contato com a mãe doadora da vida, a água.

Quando o Pajé terminou de juntar os galhos e acendeu a fogueira chamou Jurandir, pois estava na hora deles começarem os preparativos para a iniciação.

- Jurandir, esta noite não iremos dormir. Ficaremos acordados a noite toda, cantando, dançando e rezando para que os deuses e os espíritos ancestrais nos ajudem. Precisamos da ajuda deles que vieram antes de nós, e que criaram todas as coisas para que sua primeira iniciação seja um sucesso.
- Farei tudo o que for necessário Pajé Mauá!
- Então comecemos! Mas antes, devo-lhe explicar sobre a importância do fogo nos ritos sagrados, por isso presta atenção em minhas palavras Jurandir!
- Sim Pajé, gravarei tudo que o senhor disser em minha memória.
- Bom! O fogo é sagrado, ele é o elemento ativo da natureza, responsável por ativar e dar força a todos os rituais sagrados que um Pajé faz. Quando o fogo é consagrado e direcionado para um fim específico ele penetra no mundo dos espíritos e dos deuses, trazendo até nós suas energias. Se uma pessoa quer encontrar um amor e sofre porque não consegue devemos clamar pela mãe Iara para que com suas águas sagradas abra os caminhos daquela pessoa para que ela possa encontrar um amor verdadeiro e duradouro. Nos ritos sagrados utilizamos vários elementos que podemos encontrar em nossa mãe natureza: ervas, árvores, folhas, água, pedras, cristais, terra, animais, e outras coisas mais que ajudam a direcionar nossas energias para que o objetivo seja alcançado. O fogo se alimenta do ar e das energias que temos em nós, desse jeito ele queima as energias negativas que possamos ter e repõem com novas energias vindas do mundo dos espíritos e dos deuses. O fogo Jurandir, também existe dentro de nossos corpos, é esse fogo interno que mantém nossos corpos quentes e ele juntamente com os outros elementos dá forma a um novo ser! É o fogo do amor Jurandir! Fogo da Paixão, Fogo da Vida! Então vamos cantar, dançar e rezar esta noite para que os deuses e espíritos de luz nos ouçam e nos ajudem! Que a mãe Iara nos abençoe com suas vibrações de Amor Divino!

- Que assim seja Pajé Mauá! Sinto que eles já estão aqui nos ouvindo!
“Esse menino vai ser um grande Pajé!” – pensou o Pajé Mauá enquanto cantava e dançava ao redor da fogueira, observando que ao lado de Jurandir estava um espírito de luz que se mostrava como um guerreiro indígena cujo coração irradiava vibrações de amor e paz por tudo e todos.

E as horas foram passando, os dois cantavam suas orações enquanto dançavam ao redor da fogueira. Pediam com imensa fé e amor para que os deuses os escutassem, para que os espíritos ancestrais os ajudassem e para que os espíritos das matas os protegessem.
Envolvido pelos cânticos e pela dança ancestral, o jovem Jurandir entrou em um estado alterado de consciência. Seu corpo se movimentava mecanicamente, já não estava mais no plano físico, acabara de adentrar o mundo dos espíritos.

Quando Jurandir percebe que está no mundo dos espíritos, olha ao seu redor e vê um índio mais velho com porte de guerreiro ao seu lado, ele tinha um grande cocar cheio de penas brancas com detalhes azuis nas pontas e amarelo na base, olhava com carinho para ele. Aquele índio lhe era familiar, mas ele não se lembrava de onde o tinha visto.


- Que Tupã e mãe Iara lhe abençoe meu filho! – saudou o ser desconhecido.
- Quem é você? Seu rosto me parece familiar, mas não consigo me recordar de onde o conheço.
- Me chame de Pena Branca apenas filho, sou seu ancestral e seu guia. Habito o mundo dos espíritos há muito tempo e fui designado para ser o seu protetor e orientador nesta sua caminhada terrena! Nos encontramos algumas vezes em sonho, deve ter apenas lembranças vagas, daí a impressão de que me conhece mas não sabe de onde.
- Que alegria poder encontrar com meu guia! Salve as tuas forças meu pai! Sou imensamente grato aos deuses e aos espíritos da mata e os ancestrais por terem me proporcionado esta experiência!
- Eu sempre estive com você Jurandir. Ás vezes intuía pensamentos para que escolhesse o caminho certo. Acompanho-te desde que tu habitavas o mundo dos espíritos! Conheço-te a muito mais tempo do que imaginas. Em muitas e muitas eras fui teu companheiro. Você sempre como Pajé, e eu como seu auxiliar do lado de cá.
- Muito Obrigado por tantos e tantos anos de ajuda Pena Branca! Para mim você é um pai espiritual. Que Tupã lhe abençoe meu pai!
- Que o Criador de Tudo e de Todos também lhe abençoe meu filho! Que os Senhores e Senhoras dos Mistérios Sagrados nos acompanhem nesta jornada!
- Quem são estes Senhores e Senhoras meu pai? Poderia me explicar?
- Eles são os regentes dos Mistérios da Criação! Fecha teus olhos e escuta a melodia divina do amor meu filho.
Então Jurandir fecha os olhos e se concentra como havia pedido Pena Branca. Logo ele começa a escutar uma doce melodia, que parecia vir da cachoeira.
- Estou escutando pai Pena Branca! É uma linda canção! Meu coração transborda em amor por tudo e por todos!
- Escute atentamente a canção e siga a voz Jurandir.  Sua primeira iniciação começa agora.

Com os olhos ainda fechados, Jurandir segue com passos rápidos a voz divina que canta tão bela canção, a canção do amor.

Ele chega à beira da cachoeira e abre os olhos, olha no fundo do rio e vê que há uma luz rosa que parece estar convidando-o a entrar. Ele olha para Pena Branca em busca de uma resposta, deve prosseguir ou não? Pena Branca olha em seus olhos com um sorriso nos lábios e assente, encorajando-o a entrar no rio.

Então o pequeno pajé pula na água, e nada até as profundezas, onde estava a luz rosa. Quanto mais se aproxima da luz, mais ele se sente aquecido, acolhido, amparado. Sua mente e espírito são tomados por sentimentos profundos de amor por todas as coisas, queria abraçar todos os seres e dizer como os amava.


Quando chega até a luz rosa, ela explode e do meio da explosão surge uma bela sereia que o observa.

Ele fica paralisado com a visão da bela sereia, reconhecendo imediatamente que se tratava da Senhora das Águas, a Mãe Iara.

“Filho meu! Há muito tempo espero por ti, para iniciá-lo no meu mistério!”

“Mãe Iara, a sua benção! Não tenho palavras para descrever o que estou sentindo agora minha mãe! Desculpe-me por entrar em seus domínios sem pedir licença!”

“Acalme-se pequeno Jurandir! Não há pelo quê se desculpar! Que o Supremo Criador de todas as coisas lhe abençoe meu filho! Jurandir, tu sabes qual o mistério do qual eu sou Senhora?”

“Minha mãe, tu és Senhora das águas! Todos sabemos que ela a Ti pertence!”

“Sim Jurandir, sou a Senhora das Águas, mas este não é o mistério que está sob minha tutela! Somente se responderes qual este mistério poderemos prosseguir com tua iniciação!”

“Tu bela mãe, é a Suprema Senhora das Águas e do Amor! Sim, é isto que sinto diante de ti, imenso amor por tudo e por todos! Tu és a mãe do Amor Divino!”

“Sim Filho meu, este é o mistério do qual sou guardiã! Pequeno pajé, sabes porque o amor é um mistério?”

“Não minha mãe! Como pode o amor ser um mistério se todos nós conhecemos e sabemos o que é o amor? Muitos falam dele, em todos os lugares!”

“O Amor Divino é o mistério que a tudo agrega Jurandir! O Amor não separa, não divide, não subtrai, o amor apenas junta, multiplica e soma! O verdadeiro Amor é Divino, nele não há ciúmes, pois sabe que nenhuma pessoa pertence à outra, somos seres livros dotados de vontade e livre arbítrio pelo Supremo Criador. O Amor nos faz reconhecer que somos todos iguais e devemos nos unir. O amor nos mostra que somos centelhas Divinas que merecem o máximo de respeito e carinho, pois a individualidade é apenas ilusão, somos todos Um no Criador! É o amor que a tudo constrói, é ele que deve sempre brilhar em nossos olhos, pensamentos, palavras e ações! Quem deixa ser guiado pelo amor, pelo amor é guiado, e o amor nunca se separa dele.”

“Eu sinto este amor minha mãe! Tu és a fonte do Amor do Supremo Criador!”

“Sim filho! Eu e o criador somos Um, e você um dia também saberá que todos somos pequenas partes do Divino Criador, e que o que nos une é o Amor do Supremo Criador!”

“Mãe Divina, Fonte de Amor inesgotável, por favor me inicie nos mistérios do Amor!”

Então a Senhora do Amor Divino abraçou Jurandir, e neste momento Jurandir recebeu a iniciação no Mistério Divino do Amor! Eu seu corpo espiritual ficou impresso o símbolo de um coração que irradiava uma luz rosa e terna que era capaz de converter os mais obscuros sentimentos em puro amor.

Quando abriu seus olhos não viu mais a linda Sereia, mas podia sentir que ela vivia ali dentro de seu peito e que sempre que precisasse dela teria que buscá-la no amor que existia dentro de si mesmo.

Jurandir então sobe à superfície e com os olhos cheios de lágrimas corre até Pena Branca e lhe dá um carinhoso abraço. Palavras não eram necessárias, aquele abraço já exprimia todo amor e carinho que ele irradiava naquele momento.

Ainda com o menino em seus braços, Pena Branca lhe diz:
- Agora você é um iniciado no Mistério Divino do Amor filho meu! Volte e espalhe este amor por onde passares, eu sempre estarei contigo!

Jurandir ainda sem conseguir dizer uma palavra, solta Pena Branca e faz uma reverência como forma de gratidão. Em seguida se vira para o rio, faz uma reverência a ele e agradece a mãe Iara pela iniciação recebida, jurando que por onde ele passar sempre semearia a semente do amor que recebeu da Divina Mãe.

Quem pode receber a Iniciação no Amor? Só aqueles que amam sem prender, ajudam sem julgar e são humildes para aprender. 

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Significado dos nomes:

Cacique - Raoni(Chefe, Grande Guerreiro)
Pajé - Mauá (Aquele que é elevado)
Garoto - Jurandir (Trazido pela luz do Céu)
Irmão - Kaluanã (Guerreiro)
Mãe - Janaína (Rainha da Família)
Divindade - Iara (Mãe das Águas)


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A Linha das Sereias na Umbanda

Texto: "A Linha das Sereias na Umbanda"
Extraído de: http://estudaremcasa.com.br/umbanda/a-linha-das-sereias-na-umbanda
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  As Sereias são seres que vivem nas Dimensões Aquáticas do Plano Encantado da Vida. Manifestam-se na Umbanda dentro da chamada Linha do Povo do Mar, sob a regência do Orixá Yemanjá.
  Quando incorporam em suas médiuns, umas ficam sentadas, como que de lado, e outras ficam em pé.
  As que ficam sentadas movem o tronco e os braços, como se estivessem nadando e se banhando nas ondas.
  As que ficam em pé, tal como os Marinheiros, movem-se com passos de dança e fazem uma linda coreografia mágico-religiosa. Nesses movimentos, vão recolhendo todas as cargas energéticas negativas do ambiente, dos seus médiuns e da assistência.
  São higienizadoras, têm um poder de limpeza e purificação inigualável pelas outras Linhas de Umbanda, uma vez que nos trazem de forma potencializada as Energias da Dimensão Aquática onde vivem.
  O arquétipo é poderoso porque tem a sustentação dos Orixás Femininos das Águas, as Forças Primordiais da Criação.
  Quando incorporam, as Sereias não costumam falar. Apenas emitem um som que parece um canto e que, na verdade, é um mantra que repetem o tempo todo.
  Para os clarividentes, mostram-se como seres com um corpo metade humano e metade peixe.
  Como entender isso, dentro da religião de Umbanda?
  A metade humana indica que são espíritos.
  A metade peixe indica que se adaptaram ao meio, durante suas evoluções.
  A evolução nos ensina que para caminhar sobre a terra temos que ter pernas; e que para viver na água se deve ter nadadeiras.
  Seres que sempre viveram e evoluíram dentro da água também receberam de Deus tudo de que precisavam para se adaptarem ao meio a eles destinado.
  A Espiritualidade Superior explica que há tantas formas de vida na Criação Divina que não devemos nos surpreender com nenhuma delas e sim, entendê-las.
  Há Dimensões da Vida que são, em si, realidades plenas e destinadas a formas de vida específicas.
  Há Dimensões Cristalinas, Minerais, Vegetais, Ígneas, Eólicas, Telúricas.
  Também há Dimensões Aquáticas que não têm início ou fim; são infinitas e totalmente Aquáticas. São oceanos, só oceanos, tal como os conhecemos aqui na Terra, e dentro deles há tanta vida quanto Deus a criou.
  As Sereias são seres Encantados da Natureza Aquática e também estão evoluindo.
  O Plano Encantado é o Quinto Plano da Vida.
  Em relação ao nosso planeta, este Plano é formado por 49 Dimensões, paralelas umas às outras. Em outros planetas, o número de Dimensões Encantadas pode ser maior ou menor.
  As 49 Dimensões do Plano Encantado são trienergéticas, sendo formadas por combinações de Energias Elementais Puras com Energias Mistas das Dimensões Elementais Duais.
  Essa combinação de energias do Quinto Plano da Vida cria condições ideais para que, ali, os seres, que já têm seu emocional desenvolvido e equilibrado, apurem a sensibilidade, a sensitividade e a percepção, depurando suas faculdades mentais dos vícios dos instintos básicos.
  Dentro das 49 Dimensões do Plano Encantado, há sete Dimensões Cristalinas, sete Minerais, sete Vegetais, sete Ígneas, sete Eólicas, sete Telúricas e sete Aquáticas.
  Em cada Dimensão, os seres vivenciam integralmente o Sentido da Vida relacionado às Energias que ali predominam.
  Como alguém que dedicasse sua vida a estudar determinado assunto, vindo a saber tudo a respeito dele, assim também os seres que habitam naquelas Dimensões são “especializados” nas Energias do Sentido da Vida que lá predomina.
  As Sereias vêm das Dimensões Aquáticas. E os seres Aquáticos estão associados ao Sentido da Geração.
  Quando se manifestam entre nós, as Sereias nos envolvem de forma intensa com seu Magnetismo Aquático, de grande força equilibradora e purificadora do nosso campo emocional, e também nos despertam o Sentido da Geração e a Criatividade.
  Elas purificam e equilibram nosso corpo emocional porque já têm o próprio emocional purificado, equilibrado e desenvolvido. É como se trouxessem a Natureza Aquática até nós, porque são portadoras desse Magnetismo e o vivenciam o tempo todo.
  As Sereias, como tudo quanto existe nos mares, são regidas por Yemanjá e a têm na conta de Mãe Divina de todas.
  Servem a Divina Mãe com dedicação e amor e gostam de nós porque, após concluírem o estágio Encantado da Evolução, irão para o estágio Natural, onde também deixarão de ter o corpo de peixe, da cintura para baixo, e daí em diante terão um corpo feminino igual ao dos espíritos humanos.
  As Sereias não são como nas lendas, que as descrevem como seres que atraem os pescadores e os arrastam para o fundo do mar, sumindo com eles...
  Elas são Seres da Natureza Aquática, mas em seu lado espiritual, pois não pertencem ao lado material.
  Esses espíritos híbridos (metade peixe/metade mulher) possuem formidáveis poderes que, se colocados em nosso auxílio, muito nos ajudam.
  Como o arquétipo já existia, em função dos mitos e das lendas, então não foi surpresa elas se manifestarem quando se canta para Yemanjá.
  Na Umbanda, Yemanjá é tida como a “mãe-sereia”, a mãe dos peixes; diferente da Yemanjá Nigeriana, que não conhecia o mar, pois a Nigéria não faz limite com o mar. Na Nigéria, Yemanjá é associada às águas doces e existe até um rio com o seu nome. O que precisamos entender é que os Orixás foram reinterpretados e adaptados à Umbanda e à nossa cultura ocidental.
  Na Umbanda, Yemanjá é a Regente do mar e tem sua hierarquia de auxiliares, que são: na Esquerda, os Exus, Pombagiras e Exus Mirins do mar; e na Direita, os Caboclos e as Caboclas do mar, os Marinheiros, bem como as Sereias.
  No Estágio Encantado (Quinto Plano da Vida) elas são Sereias. Mas quando alcançam o Estágio Natural, no Sexto Plano da Vida, passam a ser denominadas Ninfas.
  As Ninfas são uma transição para um estágio posterior, quando tornarão a encantar-se e se transformarão em Yemanjás, Oxuns e Nanãs da Natureza.
  Quando se reencantam e se tornam Orixás da Natureza, adquirem o direito de se manifestarem já como Mães-Orixás, em seus médiuns, aos quais amparam e conduzem em suas evoluções.
  Dentro de um trabalho religioso de Umbanda, havendo solicitação dos Mentores, uma oferenda para a Linha das Sereias pode seguir os elementos que são ofertados ao Orixá Yemanjá, a Regente da Linha. No caso, podemos usar rosas brancas, frutas aquosas e suaves, conchas recolhidas na beira-mar e ervas, por exemplos, para que sejam imantados e revertam suas energias em nosso benefício.
FONTES: Os livros “Gênese Divina de Umbanda Sagrada” e “Arquétipos da Umbanda”, de Rubens Saraceni, Madras Editora.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Os Orixás

  Venho pedir o auxílio dos seres de luz, dos mensageiros celestiais, dos espíritos iluminados que habitam os diversos planos! Que os Sagrados Orixás estejam comigo em todos os momentos da minha vida, dando-me forças para prosseguir minha caminhada, dando-me forças para carregar a minha cruz, assim como nosso Pai Oxalá carregou a Dele antes de ser crucificado. 
  Que Eles me deem forças e inspiração para escrever este texto sobre essas vibrações divinas de nosso Pai Olorum! Que eu possa transmitir a minha visão a cerca dos Orixás com total amor, fé e devoção. Que assim seja em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Amém!
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  Olá irmãos e irmãs! Que Deus abençoe a todos vocês! 
  Hoje venho falar-vos sobre os Sagrados Orixás! 
  Os Orixás são as divindades do panteão africano. Com os escravos trazidos ao Brasil, e à outros países da América Latina, a sua fé, devoção e amor aos Orixás acompanhou-os. No período da escravatura como os negros eram proibidos de cultuar suas divindades, adotaram as imagens de Santos Católicos. Dentro das imagens dos Santos, eram colocados os assentamentos dos Orixás. Os assentamentos são apetrechos e fetiches inerentes aos Orixás, são uma representação material Deles, simbolizando a captação da energia da natureza, ligado aos Orixás correspondentes e sempre emanando energias para seus adeptos e crentes. Desse modo continuaram cultuando os Orixás sem que seus senhores soubessem. 

  Foi assim que o culto aos Orixás sobreviveu no Brasil e em diversos outros países, enriquecendo ainda mais a nossa cultura. 

  Os Orixás, mais do que forças da natureza, são vibrações emanadas do Divino Criador. Desse modo, Oxalá é uma vibração de Fé, Ogum de Coragem, Oxum de amor e assim por diante. Na Umbanda Esotérica/Iniciática são chamados de Tronos Divinos, o que, se for parar para analisar, é uma nomenclatura bem mais próxima da realidade dos Orixás, pois é através deles que o poder do Criador emana. Eles são o Trono onde Deus está sentado. São os Tronos que dão sustentação à toda Criação!

  Embora o sincretismo ainda esteja presente dentro dos Terreiros de Umbanda, é importante saber que os Orixás não são Santos, nunca encarnaram, com exceção de Oxalá, que teve sua última encarnação como Jesus Cristo. Ou seja, Ogum não é São Jorge, Oxum não é Nossa Senhora da Conceição, Omulu/Obaluaê não é São Lázaro. Foram sincretizados baseados em suas características, Ogum é guerreiro, forte, inspira coragem, por isso foi sincretizado com São Jorge, um nobre guerreiro e assim sucessivamente com todos os Orixás. 
  
  Espero que eu possa ter esclarecido à vocês um pouco do que são os Orixás, pois para saber mesmo "o que" são, só sentindo, conversando com eles mentalmente, pedindo sua proteção e suas irradiações divinas!
  Paz, Luz, Amor, Fé e Caridade!
  Bençãos de Oxalá!